PREVALÊNCIA DA SÍNDROME DE BURNOUT EM PROFESSORES DO CURSO DE MEDICINA DE UMA FACULDADE PARTICULAR DE BELO HORIZONTE

Karen Morais Dias, Liliana Alice da Silva Campos, Matheus Rabelo de Freitas, Alexandre de Aguiar Ferreira

Resumo


Introdução: A síndrome de burnout (SB) constitui a fase final de um processo contínuo que se desenvolve a partir do estresse crônico no ambiente de trabalho, manifestando-se em três dimensões: exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional. Devido às constantes exigências laborais, um elevado número de docentes desenvolve a síndrome no decorrer da carreira. Entretanto, estudos mostram que algumas situações como, por exemplo, a religiosidade, contribuem para sua prevenção. Objetivos: Avaliar a prevalência da SB nos docentes do curso de Medicina de uma faculdade privada, relacionando-a com outras variáveis, incluindo a religiosidade. Método: Estudo observacional, transversal, com amostra de 129 docentes. Foram utilizados os instrumentos Maslach Burnout Inventory - Human Services Survey (MBI-HSS), Escala de Religiosidade de Duke (DUREL) e coleta de dados sociodemográficos. Resultados: Considerando um dos critérios utilizados, 5 docentes (3,88%) foram diagnosticados com SB, sendo todos do sexo masculino. Além disso, os escores da escala de DUREL relativos aos itens RI1 e RI2 foram maiores entre os portadores da síndrome (p=0,020 e p=0,035 respectivamente), indicando menor nível de religiosidade. Entretanto, utilizando outro critério, 45 (34,88%) docentes apresentam SB, sendo 73,33% deles do sexo masculino, não havendo diferença significativa entre os níveis de religiosidade dos grupos com e sem burnout. Conclusão: Apesar da discrepância de resultados entre as duas análises, percebe-se que, por uma delas, aproximadamente um terço dos docentes participantes apresentaram SB, endossando a hipótese de que o ambiente laboral pode ser um fator comprometedor para a saúde mental desses profissionais.


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