A RESTRIÇÃO DO CRESCIMENTO FETAL COMO CONSEQUÊNCIA DO CONSUMO DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS NA GESTAÇÃO: UM ESTUDO TRANSVERSAL

Emannuel Novaes de Carvalho, Késia Silva Moreira, Elisama Noemi Coelho de Carvalho, Pedro Henrique Borges de Oliveira, Ana Helena Bittencourt Alamy

Resumo


Introdução: A gravidez é um momento de expectativa na vida das mulheres e o uso de álcool e drogas nesse período pode ser prejudicial para o binômio mãe-feto e acarretar, por exemplo, a restrição do crescimento fetal (RCF). Objetivo: Relacionar o uso de álcool e outras drogas durante a gestação à RCF em puérperas cadastradas na Estratégia de Saúde da Família (ESF) do município de Araguari-MG. Método: Trata-se de um estudo de corte transversal, realizado entre os meses de maio de 2018 e junho de 2019, de abordagem quantitativa e com amostra não probabilística de conveniência constituída por 70 puérperas. Utilizou-se um questionário adaptado com base nos instrumentos ASSIST, AUDIT e T-ACE para detecção de uso ou abuso de álcool e drogas no período gestacional, aplicado no puerpério tardio. Para análise inferencial utilizou-se o teste Qui-Quadrado e Valor-p. Resultados: Verificou-se que 25,70% das puérperas afirmaram ter utilizado algum tipo de droga lícita ou ilícita durante a gestação, sendo o álcool (17,10%) e o tabaco (15,70%) com maior prevalência, seguido do crack e cocaína (5,70%). Analisando-se o impacto do uso de drogas nas condições ao nascer, apenas o uso de crack/cocaína apresentou relação estatisticamente significativa com a prevalência de recém-nascidos (RN) pequenos para a idade gestacional (PIG) (p=0,009) e com baixo peso ao nascer (BPN) (p=0,009). Conclusão: Os achados permitem inferir que o uso de drogas ilícitas durante a gestação pode gerar consequências graves para o RN, como a RCF

Palavras-chave: Gestantes; Retardo do crescimento fetal; Alcoolismo; Tabagismo; Drogas ilícitas.


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