TELEMEDICINA EM SERVIÇO DE ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE NO MUNICÍPIO DE BELO HORIZONTE, NO CONTEXTO DA PANDEMIA DA COVID-19

Raquel Athayde Braga Machado, Gabriella Freitas Pereira Bartolomeu, Camila Menezes Sabino Castro, Clarice Magalhães Rodrigues dos Reis

Resumo


Introdução: Em março de 2020, a Organização Mundial de Saúde decretou a pandemia da COVID-19. Nesse contexto, vários países adotaram medidas de prevenção ao contágio do SARS-CoV-2. No Brasil, para diminuir o deslocamento das pessoas para os serviços de saúde foi autorizada a utilização da Telemedicina para assistência à saúde. Objetivo: Avaliar a percepção do usuário sobre a resolutividade da Telemedicina realizada por Médico de Família e Comunidade (MFC), em serviço privado, da região centro-sul do município de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Método: Trata-se de um estudo transversal realizado com amostra não probabilística, por conveniência. Foi aplicado um questionário estruturado via contato telefônico entre os meses novembro e dezembro de 2020, constituído de 22 perguntas de múltipla escolha. Resultados: Dos 105 participantes, 76,2% dos participantes relataram que o motivo da consulta tinha sido resolvido totalmente. Destes, 82,5% avaliaram a saúde como boa (p=0,039) e 96,2% relataram que a duração da consulta foi suficiente (p=0,005). Após o método Stepwise, os resultados mostraram que o relato do participante de que o motivo da consulta de Telemedicina tinha sido resolvido totalmente foi maior entre os participantes que avaliaram sua saúde como boa (OR=3,24; IC95% = 1,17-8,96). Conclusão: Os resultados mostraram que a resolutividade da Telemedicina, no serviço privado avaliado está relacionada à autoavaliação da saúde, independente de outros fatores relevantes. Os resultados sugerem que a Telemedicina pode ser um auxílio para usuários de serviços privados, atendidos por MFC, que possuem papel importante na promoção, prevenção e recuperação da saúde dos pacientes.


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