Formação em saúde mental na educação médica

produção de subjetividade em contexto clínico

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.19949458

Palavras-chave:

Educação Médica, Saúde Mental, Serviços de Saúde Mental, Subjetividade

Resumo

Introdução: A formação em medicina tem sido tensionada por demandas contemporâneas em saúde mental, evidenciando a necessidade de compreender seus efeitos subjetivos sobre estudantes. Objetivo: Analisar como dispositivos de formação em saúde mental participam da produção de subjetividade em estudantes de medicina em contexto ambulatorial. Método: Estudo qualitativo, de abordagem cartográfica e caráter de pesquisa-intervenção, realizado com 24 estudantes de medicina inseridos em ambulatório universitário. Foram utilizados como dispositivos de produção de dados a escala DASS-21, entrevistas cartográficas e diário de campo. A análise ocorreu de forma processual, não linear e emergente, a partir da construção de eixos analíticos. Resultados: Identificaram-se intensas experiências afetivas, oscilações nos modos de implicação no cuidado, processos de construção do olhar clínico e tensões institucionais relacionadas à sobrecarga acadêmica. Os dados da DASS-21 indicaram predominância de níveis moderados de ansiedade e estresse. Observou-se que o processo formativo opera como campo de produção de subjetividade, atravessado por agenciamentos institucionais e afetivos. Conclusão: A formação em saúde mental configura-se como espaço de produção de modos de existência, exigindo o fortalecimento de estratégias institucionais de cuidado à saúde mental dos estudantes e a construção de práticas formativas mais sensíveis às dimensões subjetivas do cuidado.

 

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Biografia do Autor

Daniela De Maman, Universidade Estadual do Oeste do Paraná

Professora Doutora Associada A nos cursos de Pedagogia e Medicina vinculada aos Centros de Ciências Humanas e Ciências da Saúde e no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/FB - Conceito CAPES 4) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste. Líder do Grupo de Pesquisa Psicologia, Saúde Coletiva e Saúde Mental (GEPSICO/CNPq). Desenvolve pesquisas na linha Psicologia, Educação e Saúde Coletiva: processos de subjetivação, formação humana e produção do cuidado, vinculada à Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste - Campus de Francisco Beltrão). É psicóloga pela Universidade Paranaense (UNIPAR/FB) e pedagoga pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), mestre em Educação pela UFSM e doutora em Educação pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Possui especialização em Psicopatologias: Fundamentos da Clínica em Saúde Mental pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR). Atua nos campos da saúde coletiva, da clínica ampliada, da psicologia social crítica e do modo psicossocial, sustentando pesquisas e intervenções em contextos clínicos, institucionais, territoriais e comunitários, com foco na ampliação das potências de vida e na construção de modos singulares de existir. Membro comportaria atribuída pelo Conselho Regional de Psicologia – CRP/PR na comissão de Psicologia e Saúde. Com envolvimento em pesquisa científicas que se desenvolvem no entrelaçamento entre docência, pesquisa e experimental institucional.

Lucas De Maman, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

Estudante do Curso de Medicina da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia CCSUFRB/BA, membro pesquisador no Grupo de Pesquisa GEPSICO - Grupo de Pesquisa Educação, psicologia e saúde mental/Linha de Pesquisa: Educação; Psicologia; Sociedade; Saúde mental e suas interfaces na produção de subjetividades. E, também, atuante, como estudante pesquisador externo no Projeto de Pesquisa - Subjetividade na contemporaneidade: eu e o eu social.

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Publicado

01-05-2026

Como Citar

1.
Maman DD, De Maman L. Formação em saúde mental na educação médica: produção de subjetividade em contexto clínico. REES [Internet]. 1º de maio de 2026 [citado 9º de maio de 2026];5(2):e912. Disponível em: https://revista.fcmmg.br/index.php/REES/article/view/912