Formação em saúde mental na educação médica
produção de subjetividade em contexto clínico
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.19949458Palavras-chave:
Educação Médica, Saúde Mental, Serviços de Saúde Mental, SubjetividadeResumo
Introdução: A formação em medicina tem sido tensionada por demandas contemporâneas em saúde mental, evidenciando a necessidade de compreender seus efeitos subjetivos sobre estudantes. Objetivo: Analisar como dispositivos de formação em saúde mental participam da produção de subjetividade em estudantes de medicina em contexto ambulatorial. Método: Estudo qualitativo, de abordagem cartográfica e caráter de pesquisa-intervenção, realizado com 24 estudantes de medicina inseridos em ambulatório universitário. Foram utilizados como dispositivos de produção de dados a escala DASS-21, entrevistas cartográficas e diário de campo. A análise ocorreu de forma processual, não linear e emergente, a partir da construção de eixos analíticos. Resultados: Identificaram-se intensas experiências afetivas, oscilações nos modos de implicação no cuidado, processos de construção do olhar clínico e tensões institucionais relacionadas à sobrecarga acadêmica. Os dados da DASS-21 indicaram predominância de níveis moderados de ansiedade e estresse. Observou-se que o processo formativo opera como campo de produção de subjetividade, atravessado por agenciamentos institucionais e afetivos. Conclusão: A formação em saúde mental configura-se como espaço de produção de modos de existência, exigindo o fortalecimento de estratégias institucionais de cuidado à saúde mental dos estudantes e a construção de práticas formativas mais sensíveis às dimensões subjetivas do cuidado.
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