ANÁLISE DO IMPACTO DO VOLUME DE INFUSÃO DE SOLUÇÕES ENDOVENOSAS INTRAOPERATÓRIA NO TEMPO DE PERMANÊNCIA HOSPITALAR
DOI:
https://doi.org/10.61910/ricm.v9i2.538Palavras-chave:
Surgery Department, Enhanced Recovery After Surgery, Intraoperative Period, Monitoring Intraoperative, General SurgeryResumo
Introdução: A infusão de soluções endovenosas intraoperatórias visa otimizar a pré-carga, transporte de oxigênio, estabilidade hemodinâmica e corrigir déficits no quadro clínico do paciente. Contudo, a quantidade de volume infundida frequentemente diverge das recomendações dos protocolos Enhanced Recovery After Surgery (ERAS) e Aceleração da Recuperação Total Pós-Operatória (ACERTO), devido à subjetividade envolvida. O excesso de reposição está associado à hipoperfusão renal, taquiarritmia e piora do padrão respiratório, com risco de evolução para sepse e falência múltipla de órgãos. Objetivo: Avaliar a relação entre o volume de infusão endovenosa intraoperatória e o tempo de permanência hospitalar em cirurgias eletivas de herniorrafia e colecistectomia videolaparoscópica, em hospital quaternário. Método: Estudo transversal retrospectivo revisando 400 prontuários de pacientes submetidos a cirurgias de 1 de janeiro à 31 de dezembro de 2022. Avaliou-se o tempo de permanência hospitalar pós-cirúrgico e o volume infundido em pacientes sem intercorrências e sem necessidade de cuidados intensivos. Resultados: A mediana de idade foi de 57 anos; 47% dos pacientes eram homens e 54% mulheres. Comorbidades, como hipertensão e diabetes, estavam presentes em 37,5% dos casos, e 66% dos pacientes foram classificados como ASA 2. Os procedimentos mais comuns foram colecistectomias (50%) e herniorrafias inguinais (26%). A infusão predominante foi de soro fisiológico, com mediana de 1.100mL. Cerca de 80% dos pacientes receberam alta no primeiro dia pós-operatório. Conclusão: Não houve correlação significativa entre o volume infundido e o tempo de permanência hospitalar, indicando a necessidade de estudos multicêntricos para avaliar essa intervenção em procedimentos de médio porte.
Referências
Henrique J. Soroterapia No Pós-Operatório de Colecistectomias Videolaparoscópicas: Prática Essencial Ou Dispensável?. Universidade Federal de Minas Gerais; 2017.
Castro GIP de. Comparação Entre Duas Estratégias Para Reposição Volêmica Perioperatória Em Cirurgias Abdominais: Infusão Contínua versus Bolus. Doctoral thesis. Universidade Estadual Paulista; 2018.
Aguilar-Nascimento JE de, Ribeiro Junior U, Portari-Filho PE, et al. Perioperative care in digestive surgery: The ERAS and ACERTO protocols - Brazilian College of Digestive Surgery position paper. ABCD Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo). 2024;37. doi:10.1590/0102-672020240001e1794
Lorentz MN. Reposição volêmica perioperatória. Revista Médica de Minas Gerais. 2010;20(4):47-56.
Crespo LV. Aplicabilidade Do Protocolo ERAS “Enhanced Recovery After Surgery” Em Gastrectomias. Hospital Federal de Bonsucesso; 2016.
Teixeira UF, Fontes PRO, Conceição CWN, et al. Implementation of enhanced recovery after colorectal surgery (ERAS) protocol: Initial results of the first Brazilian experience. ABCD Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo). 2019;32(1). doi:10.1590/0102-672020180001e1419
De Melo LEPB, Pereira ACC, Pinto AB de A, et al. Reposição hídrica restritiva no manejo pós-operatório: Uma revisão bibliográfica. Brazilian Journal of Health Review. 2023;6(3):9929-9942. doi:10.34119/bjhrv6n3-123
Sampaio MAF, Sampaio SLP, Leal P da C, et al. ACERTO project: Impact on assistance of a public emergency hospital. ABCD Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo). 2020;33(3). doi:10.1590/0102-672020200003e1544
de Aguilar-Nascimento JE, Dock-Nascimento DB, Cadavid Sierra J. El Proyecto ACERTO: un protocolo multimodal barato y eficaz para América Latina. Revista de Nutrición Clínica y Metabolismo. 2020;3(1):91-99. doi:10.35454/rncm.v3n1.018
Viana J, Coutinho R, Salomon ALR. A Eficácia Do Projeto Acerto Do Ponto de Vista Nutricional No Perioperatório Em Pacientes Submetidos à Cirurgias Eletivas Do Trato Gastrointestinal. Centro Universitário de Brasília; 2019.
Costa HCBAL da, Santos RL, Aguilar-Nascimento JE de. Resultados clínicos antes e após a implantação do protocolo ACERTO. Rev Col Bras Cir. 2013;40(3):174-179. doi:10.1590/S0100-69912013000300002
Feijó F de M, Appel-da-Silva MC, Boff MF, et al. Aplicação de protocolo de aceleração da recuperação pós-operatória em cirurgias de colectomia retossigmoidectomia, pancreatectomia e hepatectomia: experiência de hospital terciário. BRASPEN J. 2020;34(4):342-345. doi:10.37111/braspenj.2019344006
Nascimento JEDA, Salomão AB, Ribeiro MRR, Silva RF da, Arruda WSC. Cost-effectiveness analysis of hernioplasties before and after the implementation of the ACERTO project. Rev Col Bras Cir. 2020;47. doi:10.1590/0100-6991e-20202438
Teixeira UF, Goldoni MB, Waechter FL, Sampaio JA, Mendes FF, Fontes PRO. Enhanced recovery (ERAS) after liver surgery: Comparative study in a Brazilian tertiary center. ABCD Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo). 2019;32(1). doi:10.1590/0102-672020180001e1424
Kurra R, Madhusudhana R. Impact of Different Crystalloids on the Blood Glucose Levels of Nondiabetic Patients Undergoing Major Elective Surgeries. Cureus. Published online January 27, 2023. doi:10.7759/cureus.34294
Maheshwari K, Turan A, Makarova N, et al. Saline versus Lactated Ringer’s Solution. Anesthesiology. 2020;132(4):614-624. doi:10.1097/ALN.0000000000003130
Silva DN e, Paixão LQ da, Laydner HK, et al. Comparative study between local and spinal anesthesia in inguinal herniorraphy. Revista AMRIGS. 2004;48(1):11-15.
Zavadinack Netto M, Prado Filho OR, Bandeira COP, Sales KPF de, Camiloti TA. Herniorrafia inguinal: anestesia local ou regional? Acta Scientiarum. 2000;22(2):621-623.
Imbelloni LE, Fornasari M, Fialho JC, Sant’Anna R, Cordeiro JA. Anestesia geral versus raquianestesia para colecistectomia videolaparoscópica. Rev Bras Anestesiol. 2010;60(3):217-227. doi:10.1590/S0034-70942010000300001
Aguilar-Nascimento JE de, Bicudo-Salomão A, Ribeiro MRR, Dock-Nascimento DB, Caporossi C. Cost-effectiveness of the use of ACERTO protocol in major digestive surgery. ABCD Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo). 2022;35. doi:10.1590/0102-672020210002e1660
Modas DAS, Nunes EMGT. Instrumentos de avaliação do risco de prolongamento de internação hospitalar. Acta Paulista de Enfermagem. 2019;32(2):237-245. doi:10.1590/1982-0194201900032
Meyer AC, Eklund H, Hedström M, Modig K. The ASA score predicts infections, cardiovascular complications, and hospital readmissions after hip fracture - A nationwide cohort study. Osteoporosis International. 2021;32(11):2185-2192. doi:10.1007/s00198-021-05956-w
Baluku M, Bajunirwe F, Ngonzi J, Kiwanuka J, Ttendo S. A Randomized Controlled Trial of Enhanced Recovery After Surgery Versus Standard of Care Recovery for Emergency Cesarean Deliveries at Mbarara Hospital, Uganda. Anesth Analg. 2020;130(3):769-776. doi:10.1213/ANE.0000000000004495
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 REVISTA INTERDISCIPLINAR CIÊNCIAS MÉDICAS

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.

